resenha

[Resenha] Nunca Olhe Para Dentro, da Amanda Ághata Costa

maio 29, 2018

Nome: Nunca Olhe Para Dentro | Autora: Amanda Ághata Costa | Gênero: Romance | Editora: Independente | Ano: 2017 | Páginas: 482
Sinopse: Nem sempre a vida é colorida como um quadro ou suave como uma pincelada, às vezes é o contrário de tudo isso. Depois de perder os pais em um acidente de carro aos oito anos, a única coisa que Betina precisa fazer é encontrar o responsável por ter destruído sua família na noite que daria início à sua próspera carreira como pintora. Agora, longe dos pincéis e das paletas, ela está focada em terminar a primeira graduação e procurar na justiça um pouco de consolo para o caos que o seu passado ainda traz. Ao lado de seus amigos e sob o teto de uma tia que a detesta, ela perceberá de que cores as pessoas são feitas, e do quanto é realmente necessário olhar para dentro de tudo aquilo que a assombra, mesmo que para isso precise passar por uma inesperada decepção.
Trecho Preferido: "O mundo precisa de pessoas que queiram ser melhores, não de mais pessoas que se acomodam e acham que ser pior é o bastante."

De vez em quando somos arrebatados por uma história que nos prende e nos liberta, nos encanta e emociona na mesma medida. Foi o caso de Nunca Olhe para Dentro, livro concedido em parceria com a Amanda Ághata Costa, meu primeiro contato com a escrita dela, ainda que já conhecesse outras de suas obras. Uma leitura tocante e necessária!

Betina é uma garota que respira arte e já era considerada desde criança uma artista prodígio, mas que teve sua vida marcada – e mudada – por uma terrível tragédia. Aos oito anos, ela perdeu os pais num acidente de carro e desde então ela leva narcisos para o lago em que eles se afogaram. Doze anos depois, ela ainda segue o ritual toda semana e ainda busca pelo culpado que fez o carro de sua família sair da pista e cair no lago, onde ela mesma só não morreu por um milagre.

Sua guarda foi dada à sua tia Cecília, irmã de sua mãe, mulher mal caráter que odeia Betina gratuitamente e só a atura pela quantia que o governo paga como indenização todo mês àquela criança que perdeu os pais tão repentina e precocemente. Em contrapartida ao personagem odioso de Cecília, temos os poucos, mas verdadeiros, amigos da protagonista: Paola e Caio. Duas pessoas tão maravilhosas, divertidas e fiéis, que você torce para que eles possam existir na vida real. Ainda temos Nicolas (meu mais novo crush literário ), que deixa o mundo de nossa protagonista um pouco mais colorido.

"— Eu não sei com quais cores tem pintado o seu próprio mundo, mas você devolveu muitas delas para o meu."

Betina é uma garota peculiar que vê o mundo através das cores e isso deu um toque super original à trama. As cores permeiam e guiam a história de uma forma linda e te fazem entrar junto com a personagem em seus dramas, suas alegrias e em todas mais variadas tonalidades que a vida proporciona. Uma lição importante que Betina nos mostra é que, por mais cinza e escura a vida possa ser no momento, ela sempre pode se tornar mais colorida com o apoio daqueles que nos amam e com nossas próprias decisões.


Além do enredo interessante, com personagens super bem trabalhados e um romance fofo, Amanda traz um tema importante e extremamente necessário de se discutir: violência doméstica. A autora mostra com cautela os danos causados pelas agressões vindas daqueles que deveriam nos amar e nos proteger. Mostra também a importância da denúncia, o conflito, as dúvidas e os medos da vítima. Mostra o perigo do silêncio e o valor do apoio de amigos e pessoas próximas.

"O meu desabafo vem junto com um pedido. Um pedido por todos aqueles que sofrem abuso, violência, maus tratos das pessoas que deveriam amá-las. Não sejam passivos. Não fechem os olhos. A violência está no meio de nós, dentro das casas, escondida por trás dos sorrisos. (...) Sejam mais perceptivos. Sejam menos negligentes. Enquanto ficam de braços cruzados, uma pessoa pode estar sendo violentada."

A escrita da autora é muito envolvente, a trama habilmente amarrada, com várias reviravoltas. Eu até esperei algumas revelações que se confirmaram, mas outras me surpreenderam e, num momento, eu até pensei que iria ter um furo na história, mas em um parágrafo, mordi minha língua. Gostei demais do rumo que cada personagem tomou e o final foi muito digno e emocionante.


Por fim, a capa feita pelo Marcus Vinicius Pallas combina perfeitamente com a história, singela e profunda ao mesmo tempo. Li até os agradecimentos da autora e acho que todos tem que ler também, achei inspirador. Aliás, o livro inteiro é inspirador, emocionante e cruelmente verossímil em certas ocasiões. É um livro que precisa ser lido e sentido. Aproveitando que a protagonista é uma pintora, posso dizer que este livro é uma bela obra de arte. Indico para todos, sem exceção.

"Lembre-se de olhar para dentro e permitir que mais gente também olhe. E como eu falei logo no início, dê valor e ame todas as suas cores. Todas elas." - Trecho dos agradecimentos da autora.

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