resenha

[Resenha] Cânticos de Apego, da Cláudia Cassoma

fevereiro 17, 2018

Nome: Cânticos de Apego (Meu Valentim #1) | Autora: Cláudia Cassoma | Gênero: Poesia | Editora: Kujikula | Ano: 2018 | Páginas: 102
Sinopse: Odes sobre o amor cantando corações enamorados em tom ameno, enlevado e sublime.
Como já nos habitou a autora, CÂNTICOS DE APEGO é uma reunião de poemas acirrantes refertos de ternura, romance e deleitosas paixões. Em uma linguagem incandescente, o eu-lírico expõe as facetas mais profundas de corações ternamente arrebatados. Por meio de versos, Cláudia celebra olhares encantados, beijos roubados, corações conquistados, carinhos doados, vidas compartidas, — enfim, uma eufônica balada de amor.
Independente da forma, todo lídimo amor merece ser diariamente enaltecido. E, pra isso, CÂNTICOS DE APEGO é perfeito.
Poema Preferido: Deixa-me falar-te em silêncio e Amor obsoleto.

Hoje a resenha vai ser um pouco diferente. Recentemente, conhecemos uma escritora super fofa chamada Cláudia Cassoma. Ela é angolana e escreve contos e poesias e, como poesia não é o meu forte, lembrei de uma amiga da faculdade que gosta desse gênero e entende mais. Então, a convidei para ler e resenhar um dos livros da Cláudia, que é nossa parceira. Sem mais delongas, fiquem com a opinião da linda da Fernanda Pires sobre o livro Cânticos de Apego.

***

Terceiro livro da premiada escritora de nacionalidade angolana, Cânticos de Apego traz em suas páginas as diferentes manifestações do amor.

Ao longo da leitura é possível ver que o amor expresso naquelas páginas é universal, são situações por que todos passamos, é o amor romântico, mas também erótico, é o começo do amor e também seu fim.

A epígrafe promete ao leitor uma Ode ao amor e, de fato, é o que se vê; muitas formas de expressar o amor – pelo outro, por si mesmo e pela poesia. São palavras intensas, mas carregadas de ternura e generosidade, uma maturidade de quem acolhe o amor, aceita a dor das partidas, entende que pode sofrer, mas que escolhe ficar para saber no que vai dar:

vamos amar
desconhecemos o amanhã
se poderemos estar
nos resta apenas aproveitar
vamos amar
daqui não sairemos sem abrasar
sem não mais poder andar
planos não nos pertencem
não sabemos do depois
desprovidos somos de tal sorte
então vamos amar
o agora é evidente
é nós
não sonhe, por favor
descarte essa dor
na saudade está a nossa paz
nas lembranças dessas horas
vem amor, vamos amar
daqui não sairemos sem abrasar


Em alguns poemas há o desejo de eternidades, mas há também outros do amor real, com defeitos, como pode ser visto em “amor mesmo”:

amor mesmo
entre nós não são promessas jogadas em coito
é amor mesmo
não nos vimos em músicas que não nossa
sentimos coisas ainda por explicar
fizemos outras sem livros a ensinar
entre nós não são beijos novelescos
é amor mesmo
não temos dia de mais amar
depois de fevereiro, sempre a contar
coisa sem par
entre nós não são roupas a combinar
é amor mesmo
veem os que sentem os nossos olhos
sentem os que veem os nossos corpos
transparência é nosso lar
entre nós não são ausências de berros
é amor mesmo
no vigor da nossa raiva
noites de amor sem nada
gozo apenas
entre nós não são retratos de mil palavras
é amor mesmo
silêncios sorridos de momentos bem passados
silêncios vividos em momentos não falados
coisa nossa
entre nós não são dias sem pena
é amor mesmo
casamos nossos choros
felizes ou outros
não são defeitos
entre nós é coisa nossa
é amor mesmo

Quando comecei a ler pensei que seria mais um livro de poemas de libertação feminina diante das opressões sofridas pela sociedade machista – sem menosprezo algum por essas produções que considero tão importantes, principalmente para nós mulheres. Agora, não posso dizer com toda certeza que este não é esse tipo de livro de poemas, mas posso afirmar que se trata de uma voz mais plural, como se a liberdade da autora estivesse mais no fato de poder escrever sobre o que quer do que no conteúdo do que escreve. Os poemas desencadeiam ricas interpretações, uma vez que não há uma preocupação em representar apenas um tipo de sujeito lírico. Destaco este poema que conversa bem diretamente com o título do livro:

contestando o desapego
perpetue o sufoco dos abraços
deixe ficar manchas do teu braço
vista-me deste cheiro
deixe tais trapos
ate meus lábios no teu beijo
case meu vermelho com o teu
imortalize o prazer pelo corpo
ardendo ser só meu
passe seus calos por meu rosto
furte dos meus lábios um sorriso
grave o encanto de tais segundos
aproveitando o lento dançar dos olhos
entulhe as duras pegadas
nas poucas brechas que trago
com o apertar das mãos
garanta não irem aos ventos
(...) contesto o desapego

Veja também a resenha de O Tempo Não Existe: Catraio-Tamborim no Morro-Aquarela

O amor não quer ser banal, quer se demorar no outro e no eu.

E, apesar do que já foi dito sobre a pluralidade dos poemas presentes no livro, que dão o tom do caráter universal, em um deles, em particular, é possível ver Angola:

meu poema
acompanhar-me-ão folhas da welwitschia
furtadas nas terras esquentadas do Namibe
sacos plásticos fartos de ginguba
quissangua caso venhas a engasgar

nossos jantares serão às torcidas
com as pontas dos meus dedos
bolas de funge à tua boca
ao se afastarem os muzumbos

nossas noites de cinema
nas mais altas montanhas
apressando o despedir do dia
saudando as estrelas

não te vou amar de forma branca
te vou curtir
meu poema será um semba
ao dançar-te irás sentir

As referências vão desde a vegetação do país, com sua jurássica welwitschia, passando por alimentos típicos, como ginguba e quissangua e chegando à manifestação cultural do ritmo semba. E todos esses itens colaboram para reforçar que o título “meu poema” é a reafirmação da identidade que parece não ser só relacionada ao sujeito lírico, mas à poetisa. E fica claro na última estrofe que ali o amor não será “de forma branca”.


O que posso dizer aos leitores do DNA Literário é que gostei e recomendo o livro de Cláudia Cassoma, mas não esperem ter as mesmas impressões que tive. A leitura de poesia é mais solitária, é aquilo que te toca a partir de suas experiências que, certamente, não são iguais às minhas. E a beleza é essa.


Para finalizar, gostaria de indicar outros títulos que me chamaram a atenção, por enquanto. Porque também não somos os mesmos o tempo todo e podemos mudar nosso olhar. Aqui vão: Esbanjamento; Cânticos 9; Em teus braços; Coração tenaz; Vamos amar;  Chore, amor meu; Amor obsoleto; Deixa-me falar-te em silêncio; Quero-te nua; Reembolse o meu amor.

Por: Fernanda Pires

E essa foi a resenha colaborativa de hoje, espero que vocês tenham gostado. Se alguém quiser fazer uma participação especial aqui no blog, só enviar um e-mail para tributo.literario@gmail.com com.

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18 comentários

  1. que poemas lindos!
    o livro parece ser ótimo e tua resenha ficou muito boa ♥

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  2. Oi Carla =)
    Muito obrigada por indicar esse livro, me parece ser uma ótima leitura e eu que adoro poemas então, entrou pra minha listinha com toda a certeza.

    ❤❤
    Beijos de Luz,
    Marina | www.meudoceapartamento.com

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    1. Eu que agradeço! Fico feliz que tenha gostado haha Quando ler, me conta depois o que achou. Beijos!! ♥

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  3. Prefiro mais histórias e ficção do que poemas, mas ultimamente tenho lido alguns parecidos. Gostei bastante das fotos e da resenha da sua amiga, é sempre bom quando vcs acrescentam trechos dos livros, conseguimos nos identificar mais ainda com a história.

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    1. Eu também sou mais da ficção do que da poesia, apesar de achar bonita essa arte. As fotos foram feitas pela Rita aqui do blog, ela é ótima com isso haha E concordo, é bem legal quando tem trechos do livro nas resenhas, sempre tento colocar um ou outro. Muito obrigada!! Beijos!

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  4. Não sou muito fã de poesia, mas achei muito lindo o texto "vamos amar", sim, temos que amar sem pensar no amanhã, para que possamos viver esse sentimento intensamente.

    Beijos

    www.camilaporai.com.br

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    1. Eu também não sou tão chegada em poesias, mas tem umas que realmente são lindas, como essa!

      Beijos!! ♥

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  5. Amo leituras em geral, mas poemas não são meu forte. Gostei do modo como a Fernanda analisou o livro, mas de fato leitura de poesia pode ser interpretada de várias maneiras, não é?!

    Um beijo!
    www.negavaidosa.com.br

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    1. Muito obrigada haha a Fernanda arrasa!! E com certeza, a poesia toca cada um de maneira diferente, trazendo interpretações distintas. Aliás, acho que a literatura de uma forma geral tem essa magia, não só a poesia, né? haha

      Beijos!!

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  6. Não sou muito fã de poemas por isso livros assim não chamam tanto a minha atenção mas gostei dos poemas colocados no post, foram muito bem escritos. Já tinha ouvido falar desse livro mas não sabia que a autora é angolana, gostei de saber disso. Acho que até agora nunca li nenhum livro de algum autor angolano.
    Ótima resenha :)

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    1. Muito obrigada! haha Nunca é tarde para começar, hein? hahaha Se não gosta muito de poesia, a Cláudia tem outros livros também, de contos. Dá uma olhada nesse aqui: https://amzn.to/2Gkf6O4

      Beijos!!

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  7. Poemas são sempre encantadores , adorei sua resenha

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  8. Eu nunca cheguei a ler um livro de poesia e nunca tive vontade, mas esse me parece realmente interessante

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    1. Sempre é bom sair da zona de conforto, ás vezes é bom dar oportunidade a coisas diferentes, de repente você gosta.
      Beijos!

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  9. Que profundo gente hahahah alguns poemas são sensuais né? Hahahah gostei de sua resenha e as fotos ficaram lindas demais 😘

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    1. Acho que a autora tem essa pegada de mulher poderosa, sabe? haha Em breve, lerei um livro de contos dela, trarei a resenha aqui também. Muito obrigada! haha
      Beijos!

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