resenha

[Resenha] O Vilarejo, de Raphael Montes

abril 30, 2016

 
Nome: O Vilarejo | Autor: Raphael Montes | Gênero: Ficção/Suspense/Terror | Editora: Suma de Letras | Ano: 2015 | Páginas: 96
Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.
Trecho preferido: "O velho curvado abandona a casa e afasta-se a passos curtos. Ainda há muito a fazer. Ele já atinge a trilha da floresta rumo à capital quando um tiro distante corta o silêncio do vilarejo."
Raphael já começou o livro com um prefácio pra deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha e nos envolver ainda mais na história. Segundo ele, os contos lhe foram entregues por um sócio de sebo no Rio de Janeiro, e o único trabalho realizado por ele foi a tradução. A partir daí eu já fiquei muito curiosa pelo que vinha em seguida. O livro é composto por 7 contos, cada um relacionado a um pecado. Apesar de não serem dependentes, as histórias se entrelaçam, alguns personagens transitam de um conto para o outro, além de alguns acontecimentos serem mencionados.

Eu optei por ler na ordem e o primeiro conto, “Belzebu”, que fala sobre o pecado da gula foi o que mais gostei. Nele o vilarejo já foi atingido pelo intenso frio e estava isolado devido à guerra. Felika, nossa protagonista, está tentando racionar a comida da melhor forma possível para sobreviver junto aos filhos enquanto espera a volta do marido, Anatole, que saiu de casa há tempos em busca de comida. É aí que alguém bate na porta. Era Helga, uma vizinha idosa e cega, dizendo que coisas estranhas haviam acontecido no vilarejo e que todos pareciam ter ido embora. Foi então que as suspeitas começaram e a curiosidade aumentou. E que final fascinante! Raphael me pegou de surpresa e o ânimo pra ler os outros contos só aumentou.

"Humanos vivem carregados de uma crueldade sufocada."

O livro é rápido de ler, tudo flui muito fácil e as histórias realmente mexeram comigo, eu me envolvi com os personagens por mais breves que fossem os contos. Eu senti repulsa, aflição e até um pouquinho de medo, e acho maravilhoso quando um livro consegue esse efeito. Raphael soube dar um bom toque de suspense e criar reviravoltas surpreendentes e as ilustrações feitas por Marcelo Damm acrescentaram um traço sombrio e medonho às histórias. E pra quem ficou curioso, está disponível um trecho da obra no site da editora, corre lá pra conferir! 

"Ah, vocês e suas máscaras...Acabam enganando a si mesmos" 

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